A Capcom finalmente entrou no clube dos jogos que você não consegue esquecer

abril 18, 2026

Eu sempre acompanhei games da Capcom, ontem estava jogando Pragmata. Fiquei olhando pro crédito final por uns dois minutos sem fechar o jogo. Sabe aquela sensação de quando uma obra termina e você fica meio perdido, sem saber o que fazer com o vazio que deixou? Pois é. Não esperava isso da Capcom. E aí comecei a pensar: por que não esperava? Quando foi que a gente parou de esperar isso deles?

Um pouco de contexto: a Capcom que a gente conhece

A Capcom é uma das empresas mais respeitadas da história dos games. Resident Evil, Monster Hunter, Devil May Cry, Street Fighter — catálogo pesado de verdade. Mas tem uma coisa que a galera raramente fala: durante boa parte dos anos 2010, a empresa entrou num ciclo complicado. Resident Evil 5 e 6 perderam o equilíbrio entre ação e horror; Street Fighter V foi lançado incompleto; novas IPs como Lost Planet e Asura’s Wrath não conseguiram ganhar audiência suficiente. Wikipedia

A virada veio em 2017, com Resident Evil 7. A Capcom resolveu parar de perseguir o mercado e começou a perseguir a qualidade. Daí pra frente foi Monster Hunter World em 2018, RE2 Remake, RE4 Remake, Devil May Cry 5, Street Fighter 6. Uma sequência de acertos que beirou o absurdo. Mas tudo ainda dentro de franquias consagradas, dentro de zonas de conforto bem estabelecidas.

Esse jogo é diferente. Ele é uma IP nova. E isso muda tudo.

O que ele representa de verdade

O jogo foi anunciado originalmente em 2020 durante o evento de apresentação do PS5, como a primeira franquia original da Capcom em oito anos. Wikipedia Depois vieram os adiamentos — 2022, 2023, indefinidamente — e a galera foi perdendo a fé. Pareceu por um bom tempo que ele ia virar aquele tipo de jogo que some no horizonte e nunca chega. Daqueles que você menciona pros amigos e alguém fala “isso ainda vai sair?”.

Saiu. E chegou com força.

No Metacritic, com 93 avaliações da crítica, o jogo acumulou uma média de 86 pontos no PS5, com múltiplas notas perfeitas e um consenso que aponta: a Capcom não estava com medo de experimentar e a aposta funcionou. Metacritic

Mas o número em si não é o que me interessa. O que me interessa é o porquê.

jogo capcom

A análise Central do Jogo

O loop central do jogo é simples de explicar e difícil de dominar: você controla Hugh, um astronauta num traje pesado, enquanto Diana, uma androide com aparência de criança, hackeia os inimigos em tempo real. Quando você mira num inimigo, você vê simultaneamente o mundo pelos olhos de Diana — uma matriz de hacking flutuando ao lado do robô. Resolver esse puzzle em tempo real enquanto você ainda atira, se esquiva e se movimenta cria uma tensão constante e única no gênero. GameSpot

Isso é design de jogo com coragem. Não é o shooter padrão. Não é o cover system que a gente viu mil vezes. É algo que obriga você a pensar e agir ao mesmo tempo, como se fosse uma dança de multitasking — e quando você entra no ritmo, a sensação é absurdamente satisfatória.

Mas o que realmente elevou o jogo pra mim foi a história. Não é uma narrativa complexa ou cheia de reviravoltas políticas. É algo bem mais simples e poderoso: um lobo e seu filhote, uma figura paterna e uma criança curiosa e estranhamente encantadora. O Jogo dedica quase todo o seu tempo a apenas dois personagens, criando espaço pra pequenos momentos de conexão que fazem a relação crescer de forma orgânica. GameSpot

É o tipo de coisa que Death Stranding tentou fazer com Norman Reedus e o BB — uma relação entre adulto e ser que depende de você — mas aqui a execução é mais acessível, mais divertida, menos obtusa. É tipo se o Kojima tivesse deixado a Capcom dirigir aquele conceito.

A questão que fica: a Capcom vai apostar mais nisso?

A Capcom agora tem quatro jogos entre os dez mais bem avaliados de 2026 no Metacritic — um domínio que não se vê com frequência na indústria, especialmente num período em que desenvolver é cada vez mais caro e arriscado. 3DJuegos

Mas aqui tá o ponto que me preocupa um pouco: toda vez que a Capcom tenta criar uma nova IP, a recepção comercial é incerta. Lost Planet, Asura’s Wrath, Kunitsu-Gami — obras interessantes que não venderam o suficiente pra gerar sequências. O risco real não é a crítica: é a venda. Se o jogo não vender bem o suficiente, dificilmente veremos Hugh e Diana de novo.

E seria uma pena enorme. Porque o que ele é prova de que a Capcom ainda tem gente criativa que quer fazer coisas novas, arriscadas, emocionais — além dos remakes e das franquias eternas. Torço muito pra que o público recompense isso.

O jogo tem cerca de 12 horas de campanha principal — compacto e bem medido, como os grandes jogos de antigamente, sem mundo aberto interminável ou padding desnecessário. Hello Friki É uma experiência que respeita o seu tempo e entrega algo memorável dentro desse espaço. Cada vez mais raro no mercado atual.

O que esperar

Pragmata está disponível desde ontem (17/04) no PS5, Xbox Series X|S, PC via Steam e Nintendo Switch 2. Se você curte jogos single-player com narrativa forte e mecânicas criativas, esse é o momento. Ainda dá pra entrar no hype sem spoiler.

E se a Capcom confirmar uma continuação algum dia? Pode ter certeza que vai ter post aqui no Tudo Geek no minuto que o anúncio aparecer.

Você já jogou ou tá na dúvida se vale a grana? Conta aqui nos comentários — quero saber o que a galera tá achando do jogo mais corajoso da Capcom nos últimos anos.

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