O homem que criou Watchmen não consegue mais falar o nome da própria obra

abril 20, 2026

Para tudo que você tá fazendo agora. Abre esse post e lê até o final, porque essa história é uma das mais surreais e trágicas da cultura geek. Alan Moore o cara que escreveu o que muitos chamam do melhor quadrinho já feito deu uma entrevista recentemente para a revista Retrofuturista, e quando o entrevistador mencionou suas obras mais famosas pelo nome, ele simplesmente se recusou a repeti-los. Ele as chamou de “títulos rejeitados” e “obras deserdadas.” Não tô conseguindo processar o nível de drama real que existe aqui.

Quem é Alan Moore e por que isso importa?

Se você nunca leu Watchmen ou V de Vingança, aqui vai o contexto rápido: Alan Moore é amplamente considerado o maior escritor da história dos quadrinhos. Nos anos 80, ele praticamente reinventou o que uma HQ podia ser. Watchmen, publicado entre 1986 e 1987, desconstruiu o mito do super-herói de um jeito tão brutal e inteligente que mudou a indústria para sempre — é o tipo de obra que influenciou tudo que veio depois, de Breaking Bad a Invincible. V de Vingança fez o mesmo com o gênero político distópico, anos antes de qualquer série da Netflix tentar chegar perto.

Alan Moore

O problema é que Moore criou essas obras com um contrato específico: os direitos voltariam para ele e para os co-criadores Dave Gibbons e David Lloyd caso as edições saíssem de catálogo. Spoiler: elas nunca saíram. Elas venderam tão absurdamente bem que a DC nunca teve motivo para tirar de circulação. E aí a editora foi expandindo as propriedades com filmes, séries, prequels e sequências — tudo sem o aval de Moore, muitas vezes contra sua vontade explícita.

O que rolou com Watchmen e Alan Moore?

Na entrevista recente para a Retrofuturista, quando questionado sobre se suas obras mais famosas eram mais proféticas ou diagnósticas do mundo atual, Moore respondeu falando sobre “ambos os títulos rejeitados” sem jamais pronunciar seus nomes. Ele afirmou que essas obras foram criadas como diagnósticos sociais — ferramentas para analisar problemas da civilização — e que o fato de terem se tornado proféticas diz mais sobre a falha da imaginação coletiva da humanidade do que sobre qualquer habilidade especial dele. E foi além: disse que os anos de prequels, sequências e adaptações feitas por outros autores o convenceram de que a maior parte do seu trabalho nos quadrinhos provavelmente nunca foi compreendida de verdade pela maioria dos fãs de super-heróis.

Além disso, Moore falou sobre sua visão dos quadrinhos como mídia. Para ele, o meio tem um potencial artístico enorme que continua sendo desperdiçado pela indústria. O que o atraiu originalmente foi exatamente o fato de ser uma forma ignorada pela cultura — e essa marginalidade criava liberdade. Hoje ele acredita que os quadrinhos perderam essa característica ao tentar se tornar respeitáveis demais.

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A análise do Tudo Geek

Cara, isso é pesado de um jeito que vai além do drama de internet comum. É tipo imagine você criar o Senhor dos Anéis, e a editora fazer spin-offs, prequels, séries e filmes usando o seu mundo sem você ganhar nada e sem você poder fazer nada. E você ter que conviver vendo o público amar essas derivações sem entender o que você realmente tentou dizer com a obra original.

A raiva de Moore com Rorschach é um exemplo concreto disso. Rorschach foi criado como uma crítica ao fascismo mascarado de heroísmo — um personagem para você reconhecer o perigo, não para admirar. E metade do público transformou ele no herói favorito da história. É o tipo de mal-entendido que dói na alma de qualquer criador.

Dito isso, acho que há um lado da equação que Moore não reconhece: as obras já escaparam dele. Watchmen não pertence mais só ao Alan Moore — pertence também aos leitores que se transformaram por causa daquela HQ, que a usaram para entender o mundo, que a passaram pra frente. Isso não justifica o que a DC fez contratualmente. Mas também não apaga o impacto real que a obra teve, independente da intenção original do criador.

Ele virou o próprio Ozymandias, mano. Criou algo para mudar o mundo, e o mundo tomou aquilo e fez o que quis.

O que esperar

Moore está completamente focado na literatura tradicional agora. Seu novo livro, I Hear a New World, segundo volume da série Long London, chega em 26 de maio de 2026 pela Bloomsbury — sem previsão de lançamento no Brasil ainda. É uma fantasia histórica ambientada em 1958, bem longe de qualquer super-herói. Por enquanto, ele parece feliz assim.

Vale ir buscar os quadrinhos originais com a mente aberta. Leia Watchmen e V de Vingança como obras autorais, não como franquias — e aí você vai entender melhor por que a situação toda dói tanto pra ele.

Você acha que um criador tem o direito de “desherdar” sua própria obra depois que ela vira patrimônio cultural? Ou a obra pertence ao leitor tanto quanto ao autor? Comenta aqui embaixo!

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